Estatísticas da balança de pagamentos

De Statistics Explained

Dados de agosto de 2011. Dados mais recentes: Mais informações do Eurostat, Principais quadros e Base de dados. A versão inglesa é mais recente.

A balança da pagamentos regista todas as transações económicas entre entidades residentes e não residentes durante um determinado período. Este artigo apresenta dados sobre a balança corrente e sobre a balança financeira da balança de pagamentos relativos à União Europeia (UE) e aos seus Estados Membros.

A balança corrente determina a exposição de uma economia face ao resto do mundo, enquanto a balança de capital explica como ela é financiada. Uma rubrica sobre o investimento direto estrangeiro fornece mais informações sobre uma componente da balança financeira e outra sobre o comércio internacional de serviços incide numa componente da balança corrente.

Gráfico 1: Transações correntes, UE 27, 2001‑2010 (1)
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu)
Quadro 1: Saldo da balança corrente com o resto do mundo, 2004‑2010 (1)
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro) e (bop_q_c)
Quadro 2: Principais componentes da balança corrente, 2010 (1)
(% do_PIB) - Fonte: Eurostat (nama_gdp_c)
Gráfico 2: Saldo da balança corrente com um conjunto de parceiros, UE‑27, 2010
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu)
Quadro 3: Principais componentes do saldo da balança financeira, 2010 (1)
(% do PIB) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro), (bop_q_c) e (nama_gdp_c), BCE

Tabela de conteúdo


Principais resultados estatísticos

O défice da balança corrente da UE‑27 foi de 95 700 milhões de euros, em 2010 (ver Gráfico 1), correspondente a 0,8 % do produto interno bruto (PIB); o défice da balança corrente em 2009 (99 500 milhões de euros) situou se a um nível semelhante ao registado em 2010, embora ambos os défices tenham sido cerca de 60 % mais baixos do que em 2008, quando o défice correspondeu a cerca de 2,0 % do PIB. O défice da balança corrente de 2010 incluía os défices da balança corrente de bens (-1,0 % do PIB) e as transferências correntes ( 0,5 %), juntamente com um saldo positivo para os serviços (0,6 %) e para a conta de exploração (0,2 %) (ver quadro 2).

Houve um total de 14 Estados‑Membros que notificaram défices da balança corrente em 2010 (ver quadro 1): os maiores (relativamente ao PIB) foram os défices da Grécia e de Portugal (ambos 10,0 %); O Luxemburgo (7,4 %), a Suécia (6,6 %) e os Países Baixos (6,5 %) comunicaram os maiores excedentes da balança corrente. A Irlanda, a Eslováquia, a Alemanha, a Itália e a Roménia foram os únicos Estados Membros da UE que apresentaram um défice da balança corrente para os serviços, em 2010, ao passo que o Luxemburgo (54,5 % do PIB), Chipre (20,5 %) e Malta (19,2 %) comunicaram excedentes relativamente importantes. Um total de 18 Estados Membros comunicou um défice relativo aos bens – designadamente Chipre ( 26,7 % do PIB), enquanto a Irlanda apresentou o maior excedente em relação ao PIB (23,4 %).

Entre os países mostrados no Gráfico 2, o défice da balança corrente da UE‑27 com a China foi de 144 550 milhões de euros, em 2010, mais de três vezes superior ao défice com a Rússia e cinco vezes e meia o défice com o Japão (estes dois países contribuíram para o segundo e o terceiro maiores défices da balança corrente da UE‑27). O mais elevado excedente da balança corrente foi registado com os Estados Unidos (51 850 milhões de euros), seguido do excedente com a Suíça; registaram‑se igualmente excedentes com o Brasil, Hong Kong, o Canadá e a Índia.

Três tipos de investimento (investimento direto estrangeiro (IDE), investimento de carteira e outros) constituem a balança financeira, juntamente com derivados financeiros e ativos de reserva oficiais. Um valor positivo para a balança financeira indica que o afluxo de investimento (afluxo de IDE, investimento de carteira e outros passivos do investimento) excede os fluxos do investimento no exterior (saídas de IDE, investimento de carteira e outros ativos do investimento). Foi o caso da zona euro em 2010, onde a balança financeira representou 0,5 % do PIB, principalmente devido ao elevado passivo do investimento de carteira.

Como se pode ver no quadro 3, a UE‑27 continuou a ser um investidor direto líquido em relação ao resto do mundo, em 2010. Os afluxos de IDE representaram 0,8 % do PIB, enquanto as saídas de IDE representaram 1,4 % do PIB, fazendo do IDE a principal forma de investimento da UE‑27 no exterior, em 2010. O Luxemburgo registou, de longe, os níveis mais elevados quer de afluxo, quer de saída de IDE (em relação ao PIB) face ao resto do mundo, seguido da Bélgica e da Irlanda. O Luxemburgo registou também o nível mais elevado de operações de IDE em termos absolutos, seguido da Alemanha e da França, no respeitante às saídas de IDE, e da Bélgica e do Reino Unido em relação aos afluxos de IDE.

Embora o valor dos fluxos de IDE tenha continuado a baixar, pelo terceiro ano consecutivo, em 2010, depois de atingir o seu máximo em 2007, os fluxos de carteira e outros investimentos superaram os montantes das operações de IDE. A UE‑27 registou investimentos em ativos de investimento de carteira (investimento no estrangeiro) equivalentes a 2,5 % do PIB, em 2010. Os passivos de investimento de carteira (afluxo de investimento) da UE-27 foram avaliados em 4,7 % do PIB, quase seis vezes mais do que o nível do afluxo de IDE.‑ Sete Estados‑Membros registaram desinvestimento nos ativos de carteira, apresentando a Irlanda fluxos relativamente elevados (12,0 % do PIB). Os maiores investimentos em ativos de carteira (em termos relativos) verificaram‑se no Luxemburgo (com uma grande atividade de gestão de fundos), em Malta e em Chipre. O desinvestimento em passivos de carteira também foi relativamente comum, comunicando a Grécia, Portugal, a Espanha e a Bélgica fluxos negativos superiores a 2 % do PIB. O Luxemburgo apresentou mais uma vez os maiores fluxos positivos (relativamente ao PIB), seguido da Irlanda e da Finlândia.

Relativamente a outros ativos e passivos (como sejam numerário e depósitos, empréstimos e crédito comercial), a UE‑27 registou em 2010 saídas líquidas de capitais equivalentes a 0,9 % do PIB. O investimento noutros ativos foi igual a 3,0 % do PIB da UE‑27 em 2010, tendo os maiores investimentos (em termos relativos) sido registados no Luxemburgo e no Reino Unido. O afluxo de investimento noutros passivos foi equivalente a 2,1 % do PIB na UE‑27. Mais uma vez, os maiores investimentos, em termos relativos, foram realizados no Luxemburgo, seguido de perto por Malta, Grécia, Reino Unido, Portugal e Finlândia, tendo‑se registado um desinvestimento substancial em Chipre e na Irlanda. Em contraste com a situação na UE‑27 em geral das saídas líquidas de outros investimentos, um pequeno número de Estados‑Membros registou fluxos líquidos de entrada de investimento para outros ativos e passivos de investimento; é o caso, sobretudo, da Grécia e de Portugal.

Fontes e disponibilidade de dados

A principal referência metodológica utilizada para a produção de estatísticas da balança de pagamentos é o quinto Manual da Balança de Pagamentos (MBP5) do Fundo Monetário Internacional (FMI). A sexta edição deste manual (BPM6) foi concluída em dezembro de 2008, tendo aplicação prevista em 2014. Este novo conjunto de normas internacionais já foi desenvolvido, parcialmente em resposta a evoluções económicas importantes, incluindo um papel crescente para a globalização, a crescente inovação e complexidade dos mercados financeiros e uma maior tónica na utilização do balanço como instrumento para compreender a atividade económica.

A comunicação ao Eurostat dos dados relativos à balança de pagamentos está abrangida pelo Regulamento 184/2005 relativo a estatísticas comunitárias sobre a balança de pagamentos, o comércio internacional de serviços e o investimento direto estrangeiro (cuja versão consolidada data de 9 de maio de 2006).

Balança corrente

A balança corrente prevê não só informações sobre o comércio internacional de bens (em geral, a maior categoria), mas também sobre as transações internacionais de serviços, os rendimentos e as transferências correntes. Para todas estas transações, a balança de pagamentos regista o valor de créditos (exportações) e débitos (importações). Um saldo negativo – um défice da balança corrente – mostra que um país está a gastar no estrangeiro mais do que ganha nas transações com outras economias, sendo, por conseguinte, um devedor líquido face ao resto do mundo.

A balança corrente indica uma posição económica do país no mundo, abrangendo todas as transações que ocorrem entre entidades residentes e não residentes. Mais especificamente, as quatro componentes principais da balança corrente são definidos do seguinte modo:

  • O comércio de bens abrange mercadorias gerais, bens para transformação, reparações de bens, compras de bens nos portos pelos transportadores e ouro não monetário. As exportações e importações de bens são registadas numa base FOB/FOB, ou seja, pelo valor de mercado nas fronteiras aduaneiras das economias exportadoras, incluindo as despesas com seguros e serviços de transporte até à fronteira do país de exportação.
  • O comércio de serviços compreende os seguintes elementos: serviços de transporte efetuados por residentes da UE para não residentes ou vice‑versa, que envolvam o transporte de passageiros, a circulação de bens, o aluguer de veículos de transporte com tripulação e os serviços de apoio e auxiliares conexos; despesas de viagem, que inclui, sobretudo, os bens e serviços que os viajantes da UE adquirem de não residentes da UE ou vice‑versa; e outros serviços, que incluem serviços de comunicações, serviços de construção, serviços de seguros, serviços financeiros, serviços informáticos e de informação, direitos de exploração e direitos de licença, outros serviços prestados às empresas (que inclui o merchanting e outros serviços relacionados com o comércio, os serviços de locação operacional e outros serviços especializados e técnicos), serviços pessoais, culturais e recreativos, e serviços das administrações públicas não incluídos noutras rubricas.
  • As receitas abrangem dois tipos de transações: remuneração paga a trabalhadores não residentes ou recebida de empregadores não residentes, e rendimentos vencidos dos investimentos relativos a ativos e passivos financeiros externos.
  • As transferências correntes incluem transferências correntes das administrações públicas, por exemplo, transferências relacionadas com a cooperação internacional entre governos, pagamentos de impostos correntes sobre o rendimento e o património e outras transferências correntes, como sejam remessas de trabalhadores, prémios de seguro (menos as taxas de serviço) e créditos sobre as companhias de seguros não‑vida.

Nas convenções da balança de pagamentos, as transações que representam um influxo de recursos reais, um aumento dos ativos ou uma diminuição do passivo (como a exportação de bens) são registadas como créditos e as transações que representam uma saída de recursos reais, uma diminuição do ativo ou um aumento do passivo (como as importações de bens) são registados como débitos. O saldo (créditos menos débitos) de todas as transações com cada parceiro é líquido.

Balança financeira

A balança financeira da balança de pagamentos abrange todas as transações associadas a mudanças de propriedade de ativos e passivos financeiros estrangeiros de uma economia. A balança financeira é articulada em cinco componentes de base: investimento direto, investimento de carteira, derivados financeiros, outros investimentos e ativos de reserva oficiais. O investimento direto implica que um investidor residente de uma economia tenha um interesse duradouro e uma certa influência na gestão de uma empresa residente noutra economia. O investimento direto é classificado principalmente numa base direcional: investimento direto dos residentes realizado no estrangeiro e investimento direto dos não residentes na economia declarante. Nesta classificação são de distinguir três componentes principais: capital social, lucros reinvestidos e outros capitais; estes são analisados em mais pormenor num artigo sobre o investimento direto estrangeiro.

Os investimentos de carteira registam as operações em títulos negociáveis, com exceção das operações que correspondem à definição de investimento direto ou ativos de reserva. Várias componentes são identificadas: títulos representativos do capital social, obrigações e outros títulos, instrumentos do mercado monetário. Os derivados financeiros são instrumentos financeiros relacionados com um instrumento financeiro específico, indicador ou mercadoria, cujo valor está subordinado a eles, através dos quais riscos financeiros específicos podem ser negociados enquanto tal nos mercados. As operações sobre derivados financeiros são consideradas separadamente, e não como elementos integrantes do valor das transações subjacentes com as quais possam estar relacionadas.

Os ativos de reserva são ativos financeiros estrangeiros à disposição das autoridades monetárias e controlados pelas mesmas; são utilizados para financiar e regular os desequilíbrios nos pagamentos ou para outros efeitos.

Os outros investimentos constituem uma categoria residual, que não é registada nas outras rubricas da balança financeira (investimento direto, investimento de carteira, derivados financeiros ou ativos de reserva). Esta categoria abrange igualmente contrapartidas dos juros decorridos referentes aos instrumentos incluídos em «outro investimento». Quatro tipos de instrumentos são identificados: numerário e depósitos (em geral, o elemento mais significativo), créditos comerciais, empréstimos, outros ativos e passivos.

Contexto

A UE é um protagonista da economia globalizada para o comércio internacional de bens e serviços, bem como para o investimento estrangeiro. As estatísticas da balança de pagamentos dão uma imagem completa de todas as transações externas da UE e de cada um dos seus Estados-Membros.

Estas estatísticas podem ser utilizadas como instrumento para estudar a exposição internacional de diferentes partes da economia da UE, indicando as suas vantagens e desvantagens comparativas com o resto do mundo. A crise financeira e económica sublinhou a importância de tais estatísticas económicas na medida em que a melhoria da disponibilidade de dados sobre as economias reais e financeiras do mundo poderia ter ajudado, à medida que a crise se desenrolou, se existissem informações comparáveis a nível internacional sobre os fluxos de ativos e de passivos financeiros e o seu impacto na produção, no emprego e nos rendimentos disponíveis.

Mais informações do Eurostat

Publicações

Principais quadros

Balance of payments statistics and International investment positions (t_bop_q)

Base de dados

Balance of payments statistics and International investment positions (bop_q)

Metodologia / Metadados

Outras informações

Fonte dos dados para os quadros, os gráficos e os mapas (MS Excel)

Ligações externas

Ver também

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