Estatísticas da balança de pagamentos

Da Statistics Explained

Dados de setembro de 2012. Dados mais recentes: Mais informações do Eurostat, Principais quadros e Bases de dados.
Gráfico 1: Balança corrente UE-27, 2001-2011 (1)
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu)
Quadro 1 Saldo da balança corrente com o resto do mundo, 2001-2011 (1)
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro) e (bop_q_c), BCE
Quadro 2: Principais componentes do saldo da balança corrente, 2011 (1)
(% do PIB) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro), (bop_q_c) e (nama_gdp_c), BCE
Gráfico 2: Saldo da balança corrente com um conjunto de parceiros, UE-27, 2011
(1 000 milhões de euros) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu)
Quadro 3: Conjunto de rubricas da balança das operações financeiras, 2011 (1)
(EUR 1 000 milhões) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro) e (bop_q_c), BCE
Quadro 4: Conjunto de rubricas da balança das operações financeiras, 2011 (1)
(% do PIB) - Fonte: Eurostat (bop_q_eu), (bop_q_euro), (bop_q_c) e (nama_gdp_c), BCE

A balança da pagamentos regista todas as transações económicas entre entidades residentes e não residentes durante um determinado período. Este artigo apresenta dados sobre abalança corrente e abalança financeira da balança de pagamentos da União Europeia (UE) e dos seus Estados-Membros.

A balança corrente determina a exposição de uma economia ao resto do mundo, enquanto a balança de capital e a balança financeira explica como ela é financiada. Um artigo sobre investimento direto estrangeiro Foreign direct investment statistics fornece mais informações sobre uma componente da balança financeira e um outro sobre comércio internacional de serviços International trade in services incide numa componente da balança corrente.

Principais resultados estatísticos

Balança corrente

O défice da UE-27 foi de EUR 66 600 milhões em 2011 (ver Gráfico 1), o que corresponde a 0,5 % do produto interno bruto (PIB); esta situação contrasta com os dados relativos a 2010, quando o défice da balança corrente era de EUR 82 200 milhões, ou seja, 0,7 % do PIB. A evolução recente da balança corrente da UE-27 revela o prosseguimento da tendência para a redução dos défices - em 2009, depois do pico de 2008, o défice foi de 2,1 % do PIB. O défice da balança corrente em 2011 incluía os défices da balança corrente de bens (-1,1 % do PIB) e as transferências correntes (-0,5 %), juntamente com um saldo positivo para os serviços (0,9 %) e para os rendimentos (0,2 %) (ver Quadro 2).

15 Estados-Membros da UE comunicaram défices da balança corrente em 2011 enquanto 10 registaram excedentes e dois tinham balanças mais ou menos equilibradas (ver Quadro 1): os défices mais pronunciados (em relação ao PIB) registaram-se em Chipre (-10,4 %) e na Grécia (-10.1 %), enquanto os Países Baixos (8,7 %), o Luxemburgo (7,1 %) e a Suécia (7,0 %) davam conta dos maiores excedentes. A Irlanda, a Alemanha a Eslováquia, e a Itália foram os únicos Estados-Membros da UE que apresentaram um défice da balança corrente na componente dos serviços, em 2011, ao passo que o Luxemburgo (53,9 % do PIB), Chipre (20,9 %) e Malta (19,9 %) comunicaram excedentes relativamente importantes. Um total de 19 Estados-Membros comunicou um défice relativo aos bens – designadamente Chipre (-24,5 % do PIB), enquanto a Irlanda apresentou o maior excedente em relação ao PIB (23,3 %).

Em comparação com os países e regiões parceiros indicados no Gráfico 2, é com a China que a UE-27 regista o défice da balança corrente mais importante, com EUR 121 400 milhões em 2011, o que corresponde a quase o dobro do défice com a Rússia (EUR 64 500 milhões) e mais de quatro vezes o registado com o Japão (estes dois países contribuíram para o segundo e o terceiro maior défice da balança corrente da UE-27). O excedente mais elevado foi registado com os Estados Unidos (EUR 64 200 milhões), ligeiramente acima da Suíça (EUR 62 900 milhões); registaram-se igualmente excedentes com o Brasil, Hong Kong, o Canadá e a Índia.

Balança financeira

Três tipos de investimento (investimento direto estrangeiro (IDE), investimento de carteira e outro investimento) constituem a balança financeira, juntamente com derivados financeiros e ativos de reserva. Um valor positivo para a balança financeira indica que o afluxo de investimento (afluxo de IDE, investimento de carteira e outros passivos de investimento) excede os fluxos do investimento no exterior (saídas de IDE, investimento de carteira e outrosativosde investimento). Foi este o caso para 14 Estados-Membros da UE em 201, com Chipre a registar o valor mais importante em relação ao PIB (9,5 % do PIB), enquanto 13 Estados-Membros apresentavam uma balança financeira deficitária: a balança financeira da zona euro esteve próxima do equilíbrio, com -0,2 % do PIB em 2011, com saídas líquidas de investimento direto e outro investimento.

Como se pode ver no Quadro 4, a UE-27 continuou a ser um investidor direto líquido em relação ao resto do mundo, em 2011.As saídas de IDE representaram 2,8 % do PIB, enquanto os afluxos de IDE representaram 1,8 % do PIB. O efeito da crise económica e financeira esteve patente nos níveis de investimento direto, os quais, depois do pico em 2007, diminuíram durante três anos consecutivos. Contudo, em 2011, a situação inverteu-se e os afluxos de investimento direto aumentaram 55 % (em relação ao ano anterior) e o investimento no exterior subiu 50 %. O Luxemburgo registou, de longe, os níveis mais elevados quer de afluxo, quer de saída de IDE (em relação ao PIB), seguido da Bélgica e da Irlanda. O Luxemburgo também registou o nível mais elevado de operações de IDE em valores absolutos (ver Quadro 3) tanto nas saídas (seguido do Reino Unido e da França) como nas entradas (seguido da Bélgica e do Reino Unido).

Ao contrário dos fluxos de IDE, a UE-27 registou fluxos líquidos constantes de investimento de carteira. Os ativos de investimento de carteira (investimento no exterior) representaram 0,4 % do PIB em 2011, enquanto o passivo do investimento de carteira (afluxo de investimento) se estimava em 3, % do PIB. Ainda que os passivos de investimento de carteira tenham permanecido a mais importante fonte de entrada de capital da UE, o seu valor em 2011 desceu de 23 % em relação a 2010, enquanto os ativos de investimento de carteira registavam uma contração muito mais significativa (83 %). 13 Estados-Membros registaram desinvestimento nos ativos de carteira, com fluxos particularmente elevados para o Luxemburgo (75,7 % do PIB), Chipre (24,8 %), Portugal (13,6 %) e a França (8,9 %). Os maiores investimentos em ativos de carteira, em termos relativos, verificaram-se em Malta (-47,9 % do PIB) e, em termos absolutos, no Reino Unido e na Alemanha (ambos em excesso de EUR -25 000 milhões). O desinvestimento em passivos de carteira foi menos comum (aparente em 8 Estados-Membros da UE), incluindo Portugal, Grécia, Espanha, Itália e Bélgica - cada um dos quais comunicou fluxos em excesso de 3 % do PIB; o mesmo aconteceu com a Islândia. Em termos absolutos, os maiores desinvestimentos em passivos de carteira em 2011 foram registados em Itália e em Espanha, seguidos - a alguma distância - por Portugal e a Grécia. O Luxemburgo apresentou mais uma vez os maiores fluxos positivos (relativamente ao PIB), com 82,5 %, seguido da Irlanda (20,1 %), enquanto, em termos absolutos, a França e a Alemanha lideravam os fluxos de entrada.

Relativamente a outros ativos e passivos (como sejam numerário e depósitos, empréstimos e crédito comercial), a UE-27 registou em 2011 saídas líquidas de capitais equivalentes a 2,0 % do PIB. O investimento noutros ativos foi igual a 3,4 % do PIB da UE-27 em 2010, tendo os maiores investimentos (em termos relativos) sido registados no Luxemburgo e no Reino Unido. O afluxo de investimento noutros passivos foi equivalente a 1,4 % do PIB na UE-27., em 2011. Mais uma vez, os maiores investimentos, em termos relativos, foram realizados no Luxemburgo, seguido de perto pela Finlândia, Malta e Grécia, tendo-se registado um desinvestimento substancial na Irlanda e em Chipre. As saídas líquidas de investimentos da UE-27 em 2011 duplicaram (EUR 249 900milhões) em relação a 2010 – mas permaneceram abaixo do nível verificado em 2008 e 2009. 12 Estados-Membros registaram entradas líquidas de outro investimento, com destaque para o Reino Unido, a Espanha e a Grécia.

Fontes e disponibilidade de dados

A principal referência metodológica utilizada para a produção de estatísticas da balança de pagamentos é o quinto Manual da Balança de Pagamentos (MBP5) do Fundo Monetário Internacional (FMI). A sexta edição deste manual (BPM6) foi concluída em dezembro de 2008, estando a sua aplicação prevista em 2014. Este novo conjunto de normas internacionais foi desenvolvido em parte para responder a importantes evoluções da situação económica, incluindo o crescente papel da globalização, a crescente inovação e complexidade dos mercados financeiros e uma maior tónica na utilização das contas como instrumento para compreender a atividade económica.

A comunicação ao Eurostat dos dados relativos à balança de pagamentos está abrangida pelo Regulamento n.º 184/2005 relativo a estatísticas comunitárias sobre a balança de pagamentos, o comércio internacional de serviços e o investimento direto estrangeiro (do qual existe uma versão consolidada versão consolidada com data de 9 de maio de 2006).

Balança corrente

A balança corrente da balança de pagamentos fornece não só informações sobre o comércio internacional de bens (geralmente a categoria mais importante), mas também sobre as transações internacionais de serviços, os rendimentos e as transferências correntes. Para todas estas operações, a balança de pagamentos regista créditos (exportações) e débitos (importações). Um saldo negativo – um défice da balança corrente – mostra que um país está a gastar no estrangeiro mais do que ganha nas transações com outras economias, sendo, por conseguinte, um devedor líquido face ao resto do mundo.

A balança corrente indica a posição económica de um país no mundo, abrangendo todas as transações que ocorrem entre entidades residentes e não residentes. As quatro principais componentes da balança corrente definam-se do seguinte modo:

  • O comércio de bens abrange mercadorias gerais, bens para transformação, reparações de bens, compras de bens nos portos pelos transportadores e ouro não monetário. As exportações e importações de bens são registadas em base FOB/FOB, ou seja, pelo valor de mercado nas fronteiras aduaneiras das economias exportadoras, incluindo as despesas com seguros e serviços de transporte até à fronteira do país de exportação.
  • O comércio internacional de serviços compreende os seguintes elementos: serviços de transporte prestados por residentes da UE para não residentes ou vice-versa, que envolvam o transporte de passageiros, a circulação de bens, o aluguer de veículos de transporte com tripulação e os serviços de apoio e auxiliares conexos; despesas de viagem, que inclui, sobretudo, os bens e serviços que os viajantes da UE adquirem junto de não residentes da UE ou vice-versa; e outros serviços, que incluem serviços de comunicações, serviços de construção, serviços de seguros, serviços financeiros, serviços informáticos e de informação, direitos de exploração e direitos de licença, outros serviços prestados às empresas (que inclui o merchanting e outros serviços relacionados com o comércio, os serviços de locação operacional e outros serviços especializados e técnicos), serviços pessoais, culturais e recreativos, e serviços das administrações públicas não incluídos noutras rubricas.
  • Os rendimentos abrangem dois tipos de transações: remuneração paga a trabalhadores não residentes ou recebida de empregadores não residentes e rendimentos vencidos dos investimentos relativos a ativos e passivos financeiros externos.
  • As transferências correntes incluem transferências correntes das administrações públicas, por exemplo, transferências relacionadas com a cooperação internacional entre governos, pagamentos de impostos correntes sobre o rendimento e o património e outras transferências correntes, como sejam remessas de trabalhadores, prémios de seguro (menos as taxas de serviço) e créditos sobre as companhias de seguros não-vida.

Nas convenções da balança de pagamentos, as transações que representam um influxo de recursos reais, um aumento dos ativos ou uma diminuição do passivo (como a exportação de bens) são registadas como créditos e as transações que representam uma saída de recursos reais, uma diminuição do ativo ou um aumento do passivo (como as importações de bens) são registados como débitos. O saldo (créditos menos débitos) de todas as transações com cada parceiro é líquido.

Balança financeira

A balança financeira da balança de pagamentos abrange todas as transações associadas a mudanças de propriedade de ativos e passivos financeiros estrangeiros de uma economia. A balança financeira articula-se em cinco componentes: investimento direto, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e ativos de reserva. O investimento direto implica que um investidor residente numa economia tenha um interesse duradouro e uma certa influência na gestão de uma empresa residente noutra economia. O investimento direto é classificado principalmente numa base direcional: investimento direto dos residentes realizado no estrangeiro e investimento direto dos não residentes na economia declarante. Nesta classificação distinguem-se três componentes: capital social, lucros reinvestidos e outros capitais; estes são analisados em pormenor num artigo sobre investimento estrangeiro direto [1]. Os investimentos de carteira registam as operações em títulos negociáveis, com exceção das operações que correspondem à definição de investimento direto ou ativos de reserva. São identificadas várias componentes: títulos representativos do capital social, obrigações e outros títulos, instrumentos do mercado monetário. Os derivados financeiros são instrumentos financeiros relacionados com um instrumento financeiro específico, indicador ou mercadoria, cujo valor lhe está subordinado, através dos quais riscos financeiros específicos podem ser negociados enquanto tal nos mercados. As operações sobre derivados financeiros são consideradas separadamente, e não como elementos integrantes do valor das transações subjacentes com as quais possam estar relacionadas.

Os ativos de reserva são ativos financeiros estrangeiros à disposição das autoridades monetárias e controlados pelas mesmas; são utilizados para financiar e regular os desequilíbrios nos pagamentos ou para outros efeitos.

Os outros investimentos constituem uma categoria residual, que não é registada nas outras rubricas da balança financeira (investimento direto, investimento de carteira, derivados financeiros ou ativos de reserva). Esta categoria abrange igualmente contrapartidas dos juros decorridos referentes aos instrumentos incluídos em «outro investimento». São identificados quatro tipos de instrumentos: numerário e depósitos (em geral, o elemento mais significativo), créditos comerciais, empréstimos, outros ativos e passivos.

Contexto

A UE é um importante protagonista da economia globalizada no comércio internacional de bens e serviços, bem como no investimento estrangeiro. As estatísticas da balança de pagamentos dão uma imagem completa de todas as transações externas da UE e de cada um dos seus Estados-Membros. Estas estatísticas podem ser utilizadas como instrumento para estudar a exposição internacional de diferentes partes da economia da UE, indicando as suas vantagens e desvantagens comparativas com o resto do mundo. A crise económica e financeira evidenciou a importância do desenvolvimento de estatísticas económicas desta natureza, na medida em que a melhoria da disponibilidade de dados relativos à economia real e à sua vertente financeira à escala mundial podia ter ajudado os responsáveis políticos e os analistas à medida que a crise avançava. Assim acontece, por exemplo, se tivesse havido disponibilidade de dados comparáveis à escala internacional sobre ativos e passivos financeiros e respetivo impacto sobre a produção, o emprego e o rendimento

A Comissão Europeia anunciou novas propostas políticas nesta área na sequência da crise económica e financeira, com o objetivo de fazer aprovar legislação para estimular a recuperação económica e promover uma economia mais aberta e global. Espera-se que as mudanças que estas propostas preconizam gerem benefícios em termos de uma procura acrescida de bens e serviços da UE, maior possibilidade de escolha (e talvez preços inferiores) para os consumidores na UE, bem como maior segurança para as empresas quando investem no estrangeiro e na UE, e sejam, assim, um motor de crescimento económico e criação de emprego.

A Comissão Europeia lançou no verão de 2010 um roteiro para a política comercial da UE, com várias iniciativas que visam: manter a abertura dos mercados; concluir a ronda DOHA das negociações da OMC; fomentar os fluxos de investimento internacionais; eliminar as barreiras regulamentares ao comércio. A política comercial enquanto motor de prosperidade foi objeto de uma comunicação A política comercial como um elemento central da estratégia da UE para 2020 (COM(2010) 612 final). No verão de 2010, a Comissão Europeia deu os primeiros passos no desenvolvimento de uma nova política de investimento para a UE, numa comunicação Rumo a uma política europeia global em matéria de investimento internacional (COM(2010) 343 final). A comunicação analisa como a política de investimento pode contribuir para a consecução dos objetivos da estratégia Europa 2020, para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. Ao mesmo tempo, a Comissão adotou uma Proposta de regulamento que estabelece disposições transitórias para os acordos bilaterais de investimento entre os Estados-Membros e os países terceiros (COM(2010) 344 final).

Mais informações do Eurostat

Publicações

Principais quadros

Balance of payments statistics and international investment positions (t_bop_q)

Base de dados

Balance of payments statistics and international investment positions (bop_q)

Metodologia / Metadados

Fonte dos dados para os quadros e os gráficos (MS Excel)

Outras informações

Ligações externas

Ver também

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